O pretérito do futuro

Trabalhar com o passado parece paradoxal num Festival como o FILE. Isso porque este passado, que temos em nosso arquivo, nos parece tão recente que custamos a acreditar que ele já é material para conservação. Muitas obras ainda estão sendo exibidas na Internet, os artistas ainda estão em plena atividade e por isso sabemos que aquilo que conservamos não são “peças de museu”, mas sim matéria viva, que constantemente se atualiza. Como documentalistas, devemos perder a noção de permanência, para adotar uma postura de constante investigação de práticas e formas ao lidar com estes 10 anos de expressão da arte digital que o FILE Arquivo possui. Neste caso, trabalhar com o “passado” é estar inevitavelmente ligado com o futuro. Fazer deste acervo um espaço para pesquisa, educação, inspiração e até mesmo de apropriação, torna o conteúdo deste arquivo modelo e forma para novas frentes nas artes digitais.

O ambiente de conservação de obras de arte em mídias digitais é recentemente palco de discussões em muitas instituições de arte do mundo. Tal como na prática de artes em novas mídias, os curadores, artistas, tecnólogos e arquivistas trabalham em conjunto para estabelecer novos parâmetros de conservação e criar meios que atendam a complexa natureza desta expressão artística.

The past of the future

Working with past sounds paradoxal in a Festival such as FILE. It sounds paradoxal because this “past” we have in our archive seems so recent to us that it is hard to believe it is already preservation material. Many works are still being exhibited in the Internet, artists are still in full activity and thus we know that what those things we preserve are not “museum pieces”, but live matter, that is always updated. As museologists, we should lose the permanence notion in order to adopting a behavior of constant inquiry on practices and forms when dealing with these 10 years of digital expression that the FILE Arquivo has. In this case, working with the “past” means to be inevitable connected to the future. Though, transforming this archive into a place for research, education, inspiration and even appropriation, turns this file content into a model and shape for new digital art manifestations.

The art work preservation environment in digital media is a recent stage for discussions in many art organizations worldwide. As in the art practice in new medias, the curators, artists, technologists and archivists work together in order to establish new preservation parameters and to create means that attend the complex nature of this artistic expression.